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terça-feira, 15 de maio de 2012

A Des-sacralização dos lugares não-sagrados, mas antes vistos como tais

 

silêncio (26)

 

Nessas últimas 4 semanas de crises constantes e intensas de enxaquecas, as várias idas aos hospitais, clínicas e consultórios me fizeram analisar vários problemas dessa nossa tão malfadada e mal falada sociedade moderna. Dentre eles, destaca-se o que eu nomeio como “a des-sacralização dos lugres não-sagrados, mas antes vistos como tais”. Tento me explicar.

Algo que (percebam quão irônico é) cresce silenciosamente nessa sociedade, trazendo enormes prejuízos emocionais e psicológicos é o barulho (perceberam?). Vivemos em meios muito barulhentos e não percebemos o quanto estamos sendo e seremos ainda muito mais afetados negativamente por tanta falta de quietude. Era absurdo chegar imerso em dores no hospital e não ouvir apenas os gritos daqueles que, assim como eu, já sofriam por demais suas lástimas fisiológicas; mas ainda ter que ouvir os celulares em sues volumes máximos tocarem hits como “eu quero tchu, eu quero tcha”, além de escutar toda a conversa dos dois lados da linha uma vez que o volume do receptor do aparelho era altíssimo. Em meio a essa disputa telefônica, nós, convalescentes, também éramos obrigados a ouvir disputas intermináveis de mulheres querendo levar a melhor (ou a pior… Não sei bem…) no quesito “quem tivera mais doença que a outra”. Ou até mesmo ouvir pessoas discutindo política nos corredores do Pronto socorro. Ora, um local onde se costumava ver a famosa imagem de uma enfermeira com o indicador em frente aos lábios solicitando encarecidamente que se fizessem silêncio; hoje não me admiraria ver a mesma enfermeira tendo agora as mãos tapando os ouvidos por não aguentar tanto barulho dentro de um hospital.

Situação não diferente também presenciei em dois consultórios médicos em que fui atendido. Muito barulho: criança gritando, celular tocando, pessoas falando alto em suas competições olímpicas nas modalidades de “revezamento de doenças 4 por 4”, “Doenças Ornamentais”, “Doenças Sincronizadas” entre outras… Todas elas exibindo suas medalhas, ou seja, as cicatrizes. Mas o que eu fiquei mais abismado foi o fato de, essa barulhada ser permeada por xingamentos. Sim, xingamentos. Um recurso linguístico antes utilizado basicamente por homens em certos lugares e ocasiões estão hoje sendo proferidos em locais onde se dirigiam um respeito sacro como clínicas e hospitais; e mais: saindo dos lábios de seres também considerados antes angelicais como as mulheres e as crianças.

Não sei se minha cabeças doía mais ainda por conta disso tudo, ou se era pelo fato dela estar doendo tanto que havia em mim uma sensibilidade tamanha para perceber tais absurdos. O fato é que não há mais respeito. E não pense que eu estou dizendo desses locais simplesmente pelo fato de serem locais. Esses locais não possuem uma sacralidade em si, mas sua sacralidade esta no fato deles abrigarem aquilo que de fato é sacro: o ser humano em sua fragilidade. Um homem doente é sacro porque o sagrado maior, que é a vida, encontra-se nele em um movimento diferente daquele em uma pessoa saudável. Um homem frágil precisa de respeito, de silêncio, de reverência. Por isso devemos ser mais sensíveis e revalorizarmos o local sagrado, que não é o hospital, clínica ou consultório, mas sim o homem fragilizado – o homem doente: o frágil sacrário da vida.

E assim vou sobrevivendo…

… Na medida do sensível

terça-feira, 8 de maio de 2012

Ando à Flor da Pedra

 (Foto by: Tiago Paim)

Pele ressecada
Do pó da estrada
Nunca hidratada

É apenas morada
De um'alma cansada
Não mais enxarcada

Um'alma calada
Que sempre tá armada
Mas despreparada

Já fora alada
Já fora amada
Já fora aluada

Mas hoje é atada
Tão toda rasgada
Tão despedaçada

Espera agoniada
Na hora sonhada
Tocar a camada

Da pele moldada
Dura e amolada -
A pedra quebrada

E assim vou sobrevivendo...
... Na medida do sensível

quinta-feira, 26 de abril de 2012

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Farol da saudade



O sopro do dia se esvai em seu amém
E com ele a saudade do que não é velho
Nasce o novo sopro do dia que vem
É o nascer da esperança nos dois olhos belos

Os olhos que trazem a paz das florestas
Que amam a vida que é tão inconstante
A vida em tristezas ou em suas festas
Que hora nos paira, ou nos é navegante

Vidas são como barcos frágeis e infiéis
Nos levam onde ir nunca nem pensamos
Os barcos expostos a ventos cruéis
Nos deixa a saudade de onde não chegamos

Sou frágil à dor da vindoura saudade
Dos dois olhos belos ao barco farol
Farol que ilumina com docilidade
Que por tantas noites guiou como o sol

E assim vou sobrevivendo...
... Na medida do sensível 

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Argumentos


Engana-se quem crê que contra fatos não existam argumentos. 
Não existem argumentos são para os sentimentos que estes fatos causaram; 
para os sentimentos criados por estes fatos!
- E que a máxima se renove em rima para que percebamos que é assim que é:
"Contra sentimentos não há argumentos!"



E assim vou sobrevivendo...
... Na medida do sensível

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Ponte quebrantada


Pois a maior dificuldade de se reconstruir uma ponte
é quando se tem que caminhar por sobre ela enquanto a refaz
*
 
E assim vou sobrevivendo...
...Na Medida do Sensível


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A crise da Verdade

 

550_gaiola1Estamos vivendo uma crise mundial. Pior do que qualquer crise financeira, não é a tão falada “Crise dos Valores Morais”, mas sim a crise do valor moral por excelência: A Verdade. Em que devemos acreditar? Em quem devemos acreditar? Devemos acreditar? A verdade perdeu tanto o seu valor, que existem até fábricas especializadas em produzi-la em grande escala com a qualidade de uma fabricação artesanal cuidadosamente trabalhada sem quase defeito algum.

Perceber isso não é fácil em dois sentidos. Não é fácil pela dificuldade que existe em se detectar as falhas de tal “verdade”; e não é fácil no sentido existencial, uma vez que sem uma verdade, em que poderemos nos agarrar? Por onde podemos caminhar seguros?

Mas antes de qualquer análise acerca de tal crise, tentemos entrar em consenso acerca do que pode ser a verdade. Para tanto, prefiro utilizar de forma superficial, a concepção lógica da verdade enquanto adequação do pensamento – ou da fala – com a coisa mesma. Ou seja: uma sentença só é verdadeira quando existe uma correspondência entre o que se diz e a coisa em si. Por exemplo: dizer que o ar é essencial à vida humana é verdadeiro justamente porque o conteúdo dessa frase corresponde com a realidade de que a sobrevivência humana é extremamente dependente do ar e, que sem este, não há possibilidade do homem permanecer vivo. Nesse caso, qualquer outra afirmação contrária a essa é considerada falsa. Por que eu disse falsa ao invés de mentirosa? Porque nem sempre uma inverdade é uma mentira. Eu posso afirmar algo que não é verdade pelo fato de estar enganado, e nesse caso ocorre um erro. Eu acredito no que estou dizendo sem saber que o que eu digo não corresponde com a realidade. No entanto, quando se declara uma sentença inverídica tendo a consciência de que tal sentença não corresponde com a verdade, aí temos uma mentira. Ou seja, a mentira é uma inverdade moral. É a moral (ou falta desta) do sujeito ao fazer uma afirmação falsa que vai determinar se o que foi dito é um erro ou uma mentira.

Outro ponto a ser destacado acerca da reflexão sobre a verdade é o seu caráter excludente. Para tanto, trago a esse texto os três princípios lógicos sobre os quais todo raciocínio deve ser construído: o “princípio de não-contradição”, o “princípio de identidade” e o “princípio do terceiro excluído”. O primeiro diz que “uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo sob os mesmos aspectos e sob as mesmas condições”, em outras palavras, “nenhuma proposição pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo”. Exemplo: “O sol é quente e não é quente”. Já os outros dois princípios afirmam que uma proposição verdadeira é verdadeira, e uma falsa é falsa. Não há outra possibilidade; e que a uma afirmação verdadeira é excludente. Ou seja, dizer que todo homem é mortal exclui qualquer possibilidade de imortalidade do homem enquanto ser vivo (sem querer entrar na questão de crença espiritual).

MARKETING ALVOPara tentar ser mais claro, me utilizo de dois exemplos. Primeiro uma imagem: um alvo. Em seu centro o minúsculo ponto atingível por apenas um único dardo e nada mais. Nenhuma sobra para qualquer outro dardo tocar o ponto único. Ao seu redor, um grande espaço atingível. Alguns próximos ao ponto único, outros distantes, ou seja: uma enorme quantidade de possibilidades alcançáveis e fixáveis de locais para se jogar os dardos. No entanto, só há uma possibilidade de se acertar o alvo. Qualquer outro ponto atingido será um local errado. Assim é com a verdade: fazer uma afirmação verdadeira exclui de imediato qualquer outra afirmação contrária. E mais: ao perceber isso vemos que só há uma verdade e infinitas possibilidades de erros e mentiras. Uma outra imagem que evoco para tentar ser mais claro é a de uma questão de múltipla escolha numa prova: só há uma sentença correta; as demais são falsas. Marcar a alternativa correta significa dizer que todas as demais são incorretas, isto é, que qualquer outra é necessariamente falsa; no entanto, marcar uma alternativa incorreta não garante a correta. Para ser mais claro: Se tivermos cinco alternativas e marcarmos a correta, qualquer uma das outras quatro obrigatoriamente estará errada; mas se marcarmos a errada, não se pode determinar qual daquelas que é a certa.

Acredito que depois de toda essa tentativa de norteamento lógico podemos adentrar no nosso problema contemporâneo. Não temos aonde nos apegarmos. A verdade virou objeto de manipulação midiática que nos deixa totalmente perdidos. Temos uma tendência em acreditar nos telejornais como se eles fossem totalmente isentos de duvidosidade. Ainda mais quando se utiliza uma frase mágica para dar valor de mais alto grau de veracidade ao que é dito: “foi comprovado cientificamente”. Dizer isso parece causar uma paralisia mental aonde não se consegue nem exprimir algum questionamento acerca de tal sentença. E mais: como nos exemplos acima descritos – do alvo e da prova – qualquer outra possibilidade é excluída por ser considerada falsa.

O problema maior é que essa tendência à mentira (digo “mentira” porque estamos lidando no âmbito da moral) tem tido um caráter de obrigatoriedade em nossa sociedade como um todo. Ora, se aqueles que deveriam ser “obrigados” a portar a verdade mentem descaradamente, somos todos autorizados a fazer o mesmo. Isso quando não somos impelidos a reverberar mentiras por acreditarmos em tais palavras (e nesse caso incutimos em “erro”).

Tendo tudo isso em vista, sentencio sobre as questões acima: não há onde se apegar. Não há caminho seguro por onde podemos caminhar. Se somente a verdade liberta, como diz as Sagradas Escrituras, estamos então todos condenados a viver em gaiolas cada vez mais menores e sufocantes.

 

E assim vou sobrevivendo…

… Na medida do sensível

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Sobre




Eis que estou a esperar-te em meus sonhos
Seja com um sobretudo vermelho
Seja sem sobrealgo algum
Venha me dizendo coisas sobre mim
Ou por sobre mim coisas venha fazer
Mas venha inteira e sem sobras o meu bem
               que por sobre as nuvens aponta nos céus]


E assim vou sobrevivendo...
... Na medida do sensível

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Sonhando



Agora que estou a dormir
Sonho que estou acordando
E o que eu vivi desperto,
No sonho só é um sonho...
Assim espero em doce vigília
Meu sonho voltar com seus olhos
De asas coloridas

E assim vou sobrevivendo...
... Na medida do sensível

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Alquimista de Alma



Tem sido assim toda tarde
Seja no calor do mormaço em suas negras nuvens
Seja no frio da chuva ameaçadora em sua queda
Ou seja no ar seco sob o forte sol
A tarde é sempre tarde imã de minhas lágrimas
Alma de chumbo só podem gerar lágrimas pesadas
Alma de chumbo paralisa corpo de papel seda
Corpo amassado e rasgado que só se mantém de pé pelo peso da alma
Onde estás, Oh Alquimista, como seu poder transformador?
Só me bastará um toque seu para tornar ouro puro o que hoje é chumbo sujo
Ou até a sua passagem perto de mim
O rastro do seu cheiro ao penetrar minhas narinas
Será o toque do Rei Midas em minha essência vivente
E a tarde voltará a ser bela e dourada
E não restará a sensação de que à tarde é tarde demais


E assim vou sobrevivendo...
... Na medida do Sensível 

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O peso das lembranças

 

velho-caminhando

Estava eu a observar um senhor que andava na rua com uma dificuldade enorme, mas não parecia ser uma dificuldade causada por alguma doença óssea ou até mesmo muscular que travasse aquele caminhar. Era um andar moroso, como se carregasse correntes grossas e pesadas agrilhoadas aos seus pés. Seria o peso da idade? Pensei que sim. Mas não pela idade que declina o homem fisiologicamente, e sim pelas lembranças acumuladas em tantos anos vividos. Sim. O que emperrava o caminhar daquele homem eram suas memórias não esquecidas.

Nessa observação sentou-se ao meu lado o meu filósofo preferido; ficou em silêncio e eu me lembrei de suas palavras sempre tão marcantes. Nietzsche dizia que “o homem que está bem sabe como esquecer – para isso ele é forte o bastante”. Em outro texto bem anterior a este, intitulado “Da utilidade e desvantagem da história para a vida”, de 1874, ele afirma que o homem tem inveja dos animais porque estes são marcados pelo esquecimento. Eles só vivem o instante e por isso não experimentam o tédio nem a melancolia. Prazer e dor são vividos somente no momento em que sentem. Não ter memória, faz com que os animais não sejam ressentidos, não fiquem remoendo aquelas dores passadas e por isso carregam em si a felicidade justamente pelo fato de absorverem totalmente o momento presente. Pelo motivo semelhante, o homem também inveja a criança que brinca vivendo intensamente o momento presente. Brinca no instante sem se preocupar com o futuro e nem se ver atado às cadeias do passado. À medida que envelhece, os grilhões do passado começam a ficar mais pesados pela experiência da dor e do sofrimento da existência. A corrida da criança sede o lugar para o arrastar-se morosamente do velho.

Enquanto estávamos olhando aquela cena, sentou-se também ao nosso lado em observação ao caminhar vagaroso do senhor na rua, o escritor tcheco Milan Kundera. Assim como Nietzsche ele nada falou, mas sua presença me fez lembrar de seu livro “A Lentidão” onde Kundera faz uma relação muito interessante entre a lentidão e a memória, a rapidez e o esquecimento. Para ele “o grau de lentidão é diretamente proporcional à intensidade da memória” e “o grau de velocidade é diretamente proporcional à intensidade do esquecimento”. Imaginemos  uma situação comum a todos nós: um homem que ao andar pela rua deseja lembrar-se de algo; sem que ele perceba seus passos começam a desacelerar enquanto ele busca em sua memória aquilo que ela está lhe negando. Quanto mais deseja lembrar, mais lentos ficam os passos. Por outro lado, quando se quer esquecer uma experiência dolorosa que acabou de ser vivenciada, aumenta-se a velocidade dos passos como se quisesse deixar para trás algo que teima em estar muito próximo de nós, nos acompanhando. Kundera denuncia então a nossa época como nutridora de um certo desespero pelo esquecimento: “nossa época está obcecada pelo desejo do esquecimento e é para saciar esse desejo que se entrega ao demônio da velocidade; acelera o passo porque quer nos fazer compreender que não deseja mais ser lembrada; que está cansada de si mesma; que quer soprar a pequena chama trêmula da memória”.

Mas ainda havia uma vaga ao nosso lado que logo foi ocupada pelo filósofo francês Roland Barthes, que ficou por pouco tempo já que não ficaríamos mais por tanto tempo naquele local. Sua presença me lembrou que ele pensa o esquecimento como uma espécie de raspagem de sedimentações mortas em nosso corpo; assim como o “navegador raspa a craca marisca que grudou no casco do seu barco”. Quando se faz essa raspagem, o barco se rejuvenesce e consegue deslizar com mais facilidade sobre a superfície da água, ou seja, pode navegar com maior velocidade. Nós devemos aprender a esquecer para caminharmos com mais leveza, com mais jovialidade. Muitas vezes as experiências ruins que temos na vida se sedimentam em nós, grudam como as cracas e moluscos que se fixam nos barcos; e não adianta dar uma demão de tinta em sua superfície, por cima das sedimentações, para tornar o barco mais bonito e mais novo. As sedimentações continuam lá e vão pesando cada vez mais. Eu creio que Barthes pensa que assim acontece conosco. Não podemos jogar coisas por cima de nossas lembranças para fingir que estamos bem. É necessário fazer essa raspagem em nossos cascos. Temos que nos deixar “levar pela força de toda força viva: o esquecimento”.

Após essas reflexões, fiquei em silêncio olhando o homem que já dobrava a esquina estando a sumir de nossas vistas. Enquanto isso Nietzsche, Kundera e Barthes iam se levantando de um em um, me cumprimentavam com um olhar ou um toque no chapéu e seguiam, cada um, o seu caminho a passos leves. Nietzsche andava como quem dança a suave música das estrelas. Kundera caminhava devagar enquanto se dirigia a uma carruagem que o aguardava, mas sua lentidão era acompanhada por um sorriso nos lábios como se estivesse lembrando de coisas deliciosas que houveram em sua vida. Ja Barthes não caminhava, ele deslizava como um barco por sobre as águas, liso e sem nenhuma crosta que o fizesse emperrar pelo caminho. E eu, parado ali, olhei para as correntes agrilhoadas em meus pés e fiz um esforço terrível na tentativa de esquecer as minhas dores e assim poder seguir o meu caminho. Mas essas memórias se tornaram muito mais pesadas a ponto de me fazerem lembrar que eu havia esquecido o que se poderia fazer com essas lembranças.

 

E assim vou sobrevivendo…

… Na medida do sensível

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Poeminha leve

Estava a escrever um  leve poeminha
Mas bastou uma simples brisa para levá-lo pelos ares

sábado, 17 de setembro de 2011

Incondicionalmente


Um Amor incondicional, Meu Bem?
Não tem condições!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Amanhã


Amanhã eu quero desde o sol raiar
Acordar sem ouvir o som do celular
Acordarei ouvindo pássaros a cantar
Farei reunião logo cedo com as borboletas
E guardarei tudo na cabeça
Não levarei canetas muito menos pranchetas
Discutirei metafísica até com as violetas
Ouvirei o sabiá me cantar sobre Deus
Retirarei da minha mente todos os conflitos meus
Subirei numa árvore até o seu topo
Comerei de sua fruta e gritarei como um louco
Gritarei tanto a dor que logo ficarei rouco
Com a paz no espírito voltarei a comer da fruta
Olharei diretamente para o sol sem ter nenhuma culpa
De cima da árvore recitarei poesias
Cantarei os nascimentos e a morte com maestria
Não cantarei pra ninguém mesmo além de mim
Não quero que ninguém me veja assim
Descerei caminhando sobre um arco-íris
E roubarei todo o ouro dos duendes aprendizes
Jogarei o ouro no mar que não precisa de mais riquezas
E pôr-me-ei a nadar no meu próprio mar de incertezas
Ao sair da água não me secarei
Ao vento, essa tarefa eu deixarei
Ele levará para longe as gotas incertas
E assim deixará mais feridas abertas
Às feridas beija-flores beijarão
E da dor o doce mel retirarão
Cairei por sobre a mata verde escura
E dormirei em meio aos sonhos e loucuras
Acordarei não sei em que tempo
Nem sei se acordarei em algum momento
Que venha a vida após o sono ou a morte
Não sei qual vinda dentre as duas será minha sorte


E assim vou sobrevivendo...
... Na medida do sensível


domingo, 21 de agosto de 2011

Pequenas considerações sobre algumas coisas do amor



















Não deveríamos cobrar coerência
ao coração.
O amor, quando é coerente, só o é por um acaso.
E que lógica há no acaso?
E que lógica há no amor?
Seríamos justos ao aplicarmos nossas rigorosas leis da física ao coração?
E por que se dá ao coração a responsabilidade de ser o órgão do amor?
Antigamente, acreditava-se que esse era o órgão do amor porque aquelas dores decorrentes desse sentimento são ali sentidas.
Mas na verdade, é com o corpo inteiro que se ama.
As dores do amor não respondem em todo o corpo apesar da mente, por vezes, tentar fugir disso?
É que a mente é racional e por isso exige uma lógica que fundamente a coerência.
E que coerência há no amor se isso não acontecer por um acaso?
Vou dizer porque a mente teme o amor.
É por causa da memória.
Principalmente a memória esquecida.
Nossa primeiríssima experiência nesse mundo foi a do abandono.
Nascer é ser abandonado pela pessoa que mais se ama.
O conforto, a paz e a alegria do ventre materno são sensações equivalentes aos que sentimos nos braços da pessoa amada.
No inconsciente a mente se lembra da primeira experiência em que habitavam esses sentimentos de maneira intensa.
E lembra também do sofrimento inevitável que se sucedeu esse primeiro amor.
É por isso que a mente resiste quando o corpo quer.
Quem pode resolver esse impasse?
A alma.
A alma é o fiel da balança.
É ela quem tende muito de leve para um lado ou para o outro.
E a alma é cautelosa porque é ela quem sente as dores decorrentes tanto da mente quanto do corpo.
Por isso sua tendência é leve. O que torna o movimento da balança sutil.
Mas o peso do mundo rotineiro, com suas cobranças e afazeres, nos permitem ser sensíveis o suficiente para perceber a sutileza da leve alma na balança do amor?

São tantas coisas em mente
Que o corpo inteiro sente
A alma tende lentamente

A um amor que por acaso
Nada mais que um mero acaso

Pode um dia ser coerente


E assim vou sobrevivendo...
... Na medida do sensível